Setembro 12, 2008
Coluna do André Rizek, da SPORTV.
Meu caro Júlio César,
Foi vendo a capa da Folha de S. Paulo desta sexta-feira que tive inspiração em lhe escrever. A aprovação ao presidente Lula, divulga o jornal, bateu recordes. Na hora eu pensei: “Ah, foi causa da estocada que ele deu nos mascarados da seleção!” Mas aí gente mais inteligente me corrigiu na hora: “O que isso! É pelo crescimento do PIB no primeiro semestre”.
A gente que trabalha com esportes acaba vendo o mundo pela ótica da bola, não é Júlio César? Só por isso um goleiro da seleção que atinge recordes de impopularidade consegue dizer, em rede nacional, que um presidente que elogia jogador argentino deve ir morar na Argentina. Você que mora fora do país, meu caro, responda-me uma coisa: para onde mandar esta seleção?
Não me entenda como petista, lulista ou qualquer ista. Sequer votei no Lula na última eleição. Só acho curioso o fato de jogadores como você terem essa pose toda, estarem sempre olhando o mundo de cima. E por que mesmo, meu prezado goleiro? O que lhe faz tão especial (além da conta bancária) a ponto de mandar um chefe de estado morar na Argentina? O que faz desse time tão especial, para o Dunga se achar no direito de xingar um presidente da república (e qualquer torcedor, na verdade) de “filho da puta”, só porque ele criticou a seleção? Não pode criticar vocês? Estão acima do bem e do mal, por acaso?
Não sou da “patriotada”. Não ligo a mínima para o fato de você morar na Itália, na Zâmbia ou na Bolívia. Só acho que – natural – aí de longe você não percebe o que as pessoas daqui sentem em relação à seleção, por exemplo.
Talvez os italianos que convivam com você, meu caro goleiro, ainda fiquem impressionados ao falar do escrete pentacampeão. Ainda vejam aquele “charme tropical” e cultuem a nossa fama de “joga bonito”. Ainda temos uma imagem a zelar. Mas aqui, meu caro goleiro, a gente vê essas coisas apenas como campanha (chata) da Nike hoje em dia. Você deve ter percebido pelo Engenhão vazio quarta-feira, pelas vaias ao Ronaldinho... São coisas que não dão para perceber do outro lado do Atlântico.
Veja pelo Robinho, que mora fora há tanto tempo também. Para o craque do Manchester City, o Brasil ainda é a melhor seleção do mundo. Foi o que ele escreveu na parede do vestiário lá no Chile, lembra? “Respeitem a melhor do mundo”. Aposto que você assinaria embaixo.
A “melhor do mundo”, meu caro goleiro, é apenas uma pose, uma máscara que só vocês vestem hoje em dia. E não me mande morar fora do país! Porque se eu tivesse uma boa proposta do Mundo Deportivo, jornal lá de Barcelona, eu iria...
Assim como o Brasil, também sou um fiasco. Não acertei minhas previsões. Horrível.
Achar que o Jadel ia conseguir alguma coisa? A Daiane? Pombas, eles já tinham afinado em 2004. O futebol masculino não foi surpresa. Foi até mais longe do que eu pensava. A Maurren Maggi calou-me a boca. Mas ela, com esse nome, não deve ser nem brasileira.
Agosto 10, 2008
Pena que a Globo me faz ter raiva das Olimpíadas. Sem querer estou lá, torcendo contra os brasileiros. Só pro Galvão não vibrar, pra não mostrar a emoção da família na casa dos pais de um atleta no interior do Amapá.
Incrível, o cara acabou de nadar quase 1 quilômetro, está ainda bufando e já vem o repórter da Globo perguntar como foi a emoção de nadar com Michael Phelps. A ginasta desce do tablado e ainda esperando a nota da prova já tem que responder perguntas. Não há quem se concentre assim. A emissora, que frisa toda hora que esta será a Olimpíada com mais medalhas para o Brasil, é uma das maiores responsáveis pelos fiascos que se seguem. Posso fazer meu prognóstico:
Uma medalha, provavelmente de ouro, no iatismo. Duas ou três medalhas no vôlei, não sei se de ouro, contando o vôlei de praia. Medalha no futebol, provavelmente no feminino, não de ouro. Judô, necas de pitibiriba. Natação, talvez um bronze com César Cielo, esqueçam o folgado do Thiago Pereira. O cara não treina igual aos outros campeões. Está alguns segundos atrás dos melhores. Atletismo? Quem sabe o Jadel Gregório, mas sem chance para Fabiana Murer e Maurren Maggi. Não que eu torça contra, mas será um fiasco. O Brasil parou enquanto os outros países evoluíram muito.
Mas realmente o melhor das Olimpíadas é mesmo assistir a ginástica olímpica. É como uma comédia, muito engraçado. Imbatível é o salto sobre o cavalo. Assisti a essa competição hoje pela manhã. As atletas melhorzinhas conseguiam completar o salto em pé, mas as demais... Tinha menina que pulava e aterrisava com a testa. O mais engraçado é que enquanto ela enfia o nariz no colchão, as perninhas estribucham lá em cima. Há também aquelas que na tal das barras assimétricas decolam de uma barra para outra e zazzzzz, caem no chão com as pernas abertas. Vi tombo de bunda, de cabeça, de lado, aterrisagem de ombro, com a nuca, etc.
A equipe feminina se classificou, Diego Hipólito também. BRASI-IL-IL-IL-IL-IL-IL!
Julho 10, 2008
O que é reconhecimento do gramado?
Que coisa mais bizarra! Fico em frente a TV assistindo o início da transmissão e de repente eles cortam direto pro estádio mostrando ao vivo os jogadores fazendo reconhecimento do gramado.
Precisa reconhecer um gramado? Os jogadores não ganham a vida em cima de grama? Deviam saber tudo sobre grama, antes mesmo de entrar em campo: qual o melhor tipo, a que escorrega menos, a que segura mais a bola, a que dá coceira se cair nela, e por aí vai. E quando mostra um jogador nessa atividade ele está lá perto da linha de fundo cavando ou tapando um buraco com o pé. Entrar antes no campo para fazer aquecimento até que vai, mas precisa averiguar uma coisa tão diferente entre o Maracanã e o Morumbi? Os Aflitos e a Vila? Parque e Engenhão? Porra, grama é grama.
Junho 23, 2008
A Holanda é o Brasil. No futebol, é claro. Essa seleção de 2008 lembrou a Holanda de 1974, a do Carrossel, que eu não pude ver. Também o Brasil de 1982, aquele que era pra ter sido e não foi. O time de Van Nistelrroy foi o melhor time da Eurocopa. Uma pena a desclassificação. Menos mal que tenha sido para os russos, pois todos descendemos do Capote.
Vale até a célebre frase dos mexicanos quando perderam mais uma pr'aquele antigo Brasil: "Jogamos como nunca, perdemos como sempre."